Contaminação coronavírus – O que se sabe sobre transmissão animal?

A contaminação do novo coronavírus é um dos assuntos mais discutidos do momento no mundo todo. E claro que esse tema também chegaria entre os tutores de cachorros, não é mesmo?

Tutores de cachorros e de outros pets ao redor do mundo anseiam por compreenderem de que forma ocorre a contaminação do vírus. Afinal, é possível transmitirmos o vírus aos nossos amiguinhos? E é possível que eles transmitam pra nós?

Do suposto morcego chines para o pangolim. Do pangolim pro ser humano. Do ser humano pros cachorros e gatos. Mas será? A verdade é que apesar da teoria ser amplamente discutida entre a população, os cientificas não tem evidências sólidas para confirmá-la.

Veja o que já sabemos sobre a contaminação do coronavírus entre animais até o momento. Boa leitura!

Tigresa é o primeiro animal dos Estados Unidos com confirmação de coronavírus

Tigre representando primeira contaminação animal de coronavírus nos EUA
Tigre olhando para câmera – Crédito da Foto: Freepik

O primeiro animal dos Estados Unidos confirmado com o novo coronavírus é uma tigresa malaia. O animal estava apresentando tosse seca e o diagnóstico foi feito poucos dias depois da presença dos primeiros sintomas. O animal vive no Zoológico do Bronx, na cidade de Novo Iorque (Estados Unidos).

Victor Briones, funcionário do Centro de Vigilância Sanitária Veterinária da Universidade Complutense de Madri (Espanha), afirma sobre o caso que os felinos realmente vêm se mostrando bastante suscetíveis ao vírus. Entretanto, ele afirma que “por enquanto é algo pontual” (se referindo ao diagnóstico da tigresa norte-americana).

Infecção de coronavírus em animais em Hong Kong

Apesar de muitos não saberem, o mundo animal também possui uma organização mundial especializada na saúde dos animais. Essa instituição tem seus objetivos e funcionamento semelhante à Organização Mundial de Saúde (OMS).

A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) afirma que “a propagação atual da covid-19 se deve à transmissão de humano para humano”. Não há nenhuma evidência que aponte para transmissão entre animais e humanos. Entretanto, a instituição afirma que está investigando a possibilidade de saltos entre espécies.

Até o momento, foram confirmados dois casos do novo coronavírus em cachorros de Hong Kong: um pastor alemão e um lulu-da-pomerânia. Diferente do caso da tigresa, estes casos não foram descobertos devido a presença de sintomas nos animais.

Na verdade, foi descoberto a presença do vírus depois do governo analisar dezessete cachorros e oito gatos que residiam em casa de pessoas vinculadas à doença.

Além destes dois casos caninos, no final de março foi descoberto em Hong Kong outro positivo animal: desta vez, em um gato.

No final de março também foi confirmado caso de gato com o novo coronavírus na Bélgica. O caso do felino belga foi o primeiro felino a receber confirmação no mundo.

Transmissão entre os animais

Ilustração de vários animais
Ilustração de vários animais – Crédito da foto: Freepik

Com quase 2 milhões de casos registrados em pessoas (dado coletado na primeira quinzena de abril), o vírus foi detectado em apenas dois cachorros, dois gatos e uma tigresa. Além disso, também não há evidências de que o vírus foi transmitido entre espécie (do humano para o animal, ou vive-versa).

Por isso, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) diz que não há razões para ser tomado qualquer medida relacionada ao animal doméstico que possa afetar sua vida ou bem-estar. Entretanto, a própria instituição relembra que segue pesquisando sobre o assunto. Por via das dúvidas, a OIE orienta que as pessoas evitem contatos excessivos com eles (os animais domésticos).

Estudos laboratoriais sobre o contágio do coronavírus

Considerando a alta relevância de obtermos conhecimento sobre o tema, a China está encabeçando pesquisas no assunto. Por esse motivo, o país asiático parece não estar poupando esforços para compreender a transmissão do vírus.

O Instituto de Pesquisa Veterinária de Harbin (China) está com uma equipe trabalhando com várias espécies de animais diferentes. Os pesquisadores estão introduzindo o vírus do novo coronavírus diretamente no nariz de diversas espécies.

Os primeiros resultados do experimento têm demonstrado o seguinte achado:

  • A contaminação do novo coronavírus parece se replicar mal entre cães, porcos, galinhas e patos
  • Entretanto, se propaga bem entre furões e gatos

As pesquisas preliminares foram publicadas no final de março e ainda não possuem revisão externa. Naturalmente, os estudos estão ocorrendo em um laboratório de alta segurança.

Contaminação em felinos: o que a ciência está dizendo sobre o tema?

Retrato de gato jovem abissínio puro-sangue
Retrato de gato jovem abissínio puro-sangue em fundo cinza – Crédito da foto: Freepik

O virologista Bu Zhigao está encabeçando pesquisas asiáticas sobre a contaminação do novo coronavírus entre animais.

Inicialmente, foram infectados um total de cinco gatos para verificar o comportamento do vírus nos animais. Os resultados preliminares do estudo demonstraram que a contaminação entre felinos parece acontecer de forma rápida e relativamente semelhante ao encontrado em humanos.

Foi descoberto que o vírus se multiplica na traqueia e garganta dos gatos. Entretanto, os felinos não apresentam os sintomas típicos da doença. Além disso, os gatos infectados também contaminaram gatos sadios que estavam em jaulas próximas. Isso sugere que entre felinos também ocorre contaminação por gotas respiratórias, assim como entre humanos.

Sequência de estudos

Entretanto, a Associação de Medicina Veterinária dos Estados Unidos demonstrou ceticismo em relação aos primeiros achados do estudo asiático. De acordo com especialistas estadunidenses “O fato de um animal se infectar experimentalmente com um vírus não significa que ele vá se infetar com o mesmo vírus em condições naturais”.

A organização adverte que estudos em laboratório não são capazes de replicar todas as variáveis do “mundo real” (fora dos laboratórios). Por isso, os pesquisadores norte-americanos afirmam que os achados chineses não tem valor relevante para a ciência e deveriam “ser desconsiderados”.

Mesmo com críticas, o país asiático segue investindo em pesquisas. Estudo ainda mais recente da Universidade Agrícola de Huazhong (China) é publicado no início de abril e aponta para salto da contaminação dos humanos para gatos.

Os pesquisadores analisaram o sangue de mais de cem gatos de Wuhan depois do surto. Os resultados demonstraram que 15% dos gatos analisados contavam com anticorpos contra o novo coronavírus.

Os cientistas liderados pela veterinária Jin Meilin afirmam que “Nossos dados demonstram que o vírus SARS-CoV-2 infectou a população de gatos”. Todavia, estes dados também precisam ser visualizados com cautela. Isso porque os estudos são muito recentes e ainda não tiveram tempo de serem submetidos a revisão externa.

Recomendação

Gato scottish fold na superfície azul
Gato scottish fold na superfície azul – Crédito da foto: Freepik

William Karesh, veterinário e presidente do grupo de trabalho sobre enfermidades/doenças da fauna selvagem da OIE, aconselha que se mantenha relativa distância de gatos que passam muito tempo na rua.

Em suas próprias palavras “Os gatos que passam muito tempo fora de casa poderiam, potencialmente, ser infectados por outra pessoa. Então, é melhor manter distância deles, como se faz com humanos”.

O veterinário Victor Briones, do Centro de Vigilância Sanitária Veterinária (Espanha), diz concordar inteiramente com essa recomendação.

Coronavírus, fauna selvagem e saúde

McCauley é especialista em fauna selvagem e afirma que “Cerca de 75% das doenças emergentes vêm da fauna selvagem. Além disso, já compartilhamos 60% das doenças infecciosas com os animais”.

A veterinária e especialista acredita que a pandemia do novo coronavírus está reforçando a importância de investigar técnicas de diagnóstico e investir em formação e infraestrutura na primeira linha do que ela chama de “natureza selvagem”. De acordo com McCauley, somente com esses investimentos será possível “identificar de forma ágil ameaças como essa”.

Diversos veterinários e especialistas em saúde humana e em saúde animal reforçam que a saúde da fauna silvestre precisa ser incluída no pacote de conversação do meio ambiente. Isso porque a saúde dos humanos está estreitamente associada com a saúde dos animais.

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