Shar Pei

U Calila Galvão    t 20 de março de 2014


Quem já viu um cãozinho desses sabe como ele é fofo e dá vontade de não soltar nunca mais. A sua pele solta e cheia de dobras faz desse animal ser único entre os cães e por isso chama a atenção de tantas pessoas. Ele tem a sua origem em aldeias chinesas e recebeu esse nome um tanto estranho por causa do seu pelo, que é curto, duro e eriçado. Shar Pei, em chinês, significa pele de areia ou pele de lixa. Mas não se engane com as suas belas características, pois o seu temperamento pode ser um grande desafio para os donos, principalmente para os que são inexperientes.

Tudo sobre Shar Pei

Informações

Origem do Shar Pei

Não há confirmação, mas alguns historiadores datam o Shar Pei de 200 a.C., na Dinastia Han e seu local de origem seja de pequenas aldeias que ficavam ao redor do mar da China Oriental. Mas, alguns em documentos que datam do século XIII, é possível verificar a descrição de um cão muito parecido com o Shar Pei. Ainda não foi possível identificar com precisão quem são os seus ancestrais. Alguns dizem que eles são o resultado dos cruzamentos entre Mastins com outras raças nórdicas, outros, que pela sua língua azul igual ao do Chow Chow, acreditam que este seja um dos ancestrais do Shar Pei.

Tudo sobre Shar Pei

Depois que a China se tornou comunista, muitos documentos desapareceram, inclusive muitos que descreviam a participação da raça na vida dos povos. Após essa época, o Shar Pei por muito pouco não foi extinto por completo e graças a Hong Kong que abriu canais para a passagem desses cães, os cães não desapareceram. Foi nessa cidade que o Kennel Club reconheceu a raça no ano de 1968 e apenas alguns conseguiram chegar ao continente americano.

Por causa disso, os cães ficaram escassos e se tornaram muito raros, o que fez com que muitos ricos e famílias nobres quisessem um exemplar para exibir. É a básica lei da Oferta e Procura. E assim, o Shar Pei ficou extremamente popular e ter um se tornou símbolo de status e luxo.

Características do Shar Pei

A principal e mais marcante característica dessa raça são as suas dobras por todo o corpo. Quando filhotes, elas aparecem apenas nas patas e no tronco, mas depois que se tornam adultos é possível vê-las também no pescoço e na cabeça. Os olhos são de tonalidade escura e amendoada e os pelos podem ser encontrados nas cores preta, areia, avermelhado, castanho e até mesmo azulado. O seu tamanho é de um cão com porte mediano sendo que a sua altura pode chegar a 51 cm e o seu peso varia entre 10 e 20 kg, tanto para os machos como para as fêmeas. Outra característica que chama bastante a atenção é a sua língua com cor azul como o Chow Chow.

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Temperamento do Shar Pei

Duas características em seu temperamento, estar sempre alerta e ser fiel, levou o Shar Pei a realizar várias funções em outras épocas como: cão de guarda, cão de pastoreio, cão de caça de animais grandes como javalis e até rastreamento. Um triste fato é que, por causa de sua mordida extremamente potente e de seu porte físico, muitos donos criavam esses cães com o objetivo específico para participar de brigas. Um ponto positivo é que eles acabam desenvolvendo uma grande devoção ao seu dono o que faz dessa raça excelente cão de companhia.

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Ele é um cão muito fácil de se adaptar aos ambientes e consegue viver bem em um apartamento ou numa grande fazenda. Para que possui vizinhos chatos eles são excelentes pois latem muito pouco e fazem a sua melhor função como cão de guarda em silêncio. Se um Shar Pei latir é melhor dar atenção porque eles só fazem isso se houver algum estranho na casa ou um acontecimento incomum. Eles possuem um temperamento bastante tranquilo e conseguem se adaptar bem à família, crianças e outros animais de estimação.

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Se você nunca teve um cão é melhor que este não seja a sua primeira experiência ou a frustração virá a galope. Apesar de serem bem tranquilos e fiéis, são muito independentes o que pode fazer deles uma raça bastante teimosa. Se o dono não tiver pulso firme e mostrar quem manda dando ordens com voz firme e não cedendo a chantagens emocionais, o que poderia ser uma convivência prazerosa pode se tornar praticamente impossível.

Cuidados que você deve ter com o Shar Pei

Os exercícios físicos não são um problema, pois apenas 20 minutos por dia de caminhada leve já é o bastante para um Shar Pei. A socialização deles com crianças, outros animais, família e amigos da família deve ser feita quanto ainda são filhotes. Não se preocupe com a função de cão de guarda, ela não será prejudicada por conta disso. O maior cuidado que se deve ter é com as dobras, pois entre elas fica fácil acumular muita sujeira e umidade, um ambiente extremamente propício para os fungos que acabam dando início às dermatites.

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Outro pequeno problema que pode ocorrer é o entrópio que é causado quando as rugas que se formam na cabeça caem para a frente do olho. Isso pode ter como consequência um crescimento inverso dos cílios e das pálpebras que ficam no sentido inverso e podem danificar a córnea. Mas há uma maneira de resolver esse problema, mas o procedimento deve ser realizado ainda quando filhote: basta que um veterinário dê 3 pontos nas pálpebras. Assim, haverá a formação de pregas o que impedirá que as pálpebras caiam sobre os olhos.

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Uma resposta para “Shar Pei”

  1. Eli disse:

    Olá,

    Vim deixar meu depoimento de como está sendo ter um Sharpei em casa.
    Esse foi um dos sites que eu li enquanto estava esperando o Mont desmamar. E como existem poucos depoimentos de donos disponíveis em português pela internet, quero registrar para que outros tenham conhecimento juntamente com este artigo.

    Peguei o Mont no interior, a poucos dias de completar 2 meses, em Votuporanga, interior de SP. Ele estava ainda bem pequeno, e com 2 pontos em cada pálpebra. Da ninhada, o caso de entrópio dele era o pior, chorei muito no início pensando no incômodo nos olhinhos dele, tão pequenininho, com tanta irritação e lacrimejo, mas com o passar das semanas foi melhorando drasticamente. O levei em um oftalmologista veterinário que me receitou colírios lubrificantes e pediu que aguardássemos ministrando os colírios e limpando os olhinhos dele sempre. Como ele tinha muita agonia de mexer nos olhinhos, e com razão, não ministrei o colírio o número de vezes recomendadas, fui primeiro acostumando-o a me deixar limpar os olhos dele, toda vez que eu termino de limpar dou um palitinho de courinho e hoje, 2 meses e meio depois, ele já me deixou pingar o colírio sem dar trabalho. É como ensinar filhos, tem que ter paciência, amor e persistir, sem mostrar estresse ou frustração, apesar de algumas vezes eu ter perdido a paciência. Hoje, prestes a completar 5 meses, o problema dos cílios entrando nos olhos sumiu, faz 1 mês aproximadamente que tem melhorado a cada dia! O crescimento dele tem desenvolvido bem, dos 4 pontos: 2 caíram, tiramos 1 que estava machucando, formando pus e inchaço, pois ele cresceu e o ponto estava apertando e machucando a pele; e ainda falta 1 pra tirar, esse parece não incomodar, mas já precisa ser removido.
    O problema é que apesar dos cílios não entrarem mais nos olhinhos dele, o crânio ainda não cresceu o suficiente ajudando no posicionamento das pálpebras, ou seja, os olhinhos dele estão abertos mas o globo ocular está pra cima, só dá pra ver um pouquinho dos olhos com ele normal, só consigo ver os olhões dele quando ele deita e joga a cabeça pra trás, aí as pelancas saem da frente, a pele toda vai pra trás, e tudo fica no lugar, os olhos dele são escuros e saudáveis. Temos que esperar a fase final do crescimento pra ver como ficará, mas eu acredito que vá ficar bem.

    Quanto ao comportamento, nos surpreendemos com o companheirismo e obediência dele, não somos adeptos de coleira, só usamos a peitoral uma vez para levá-lo ao parque, mas chegando onde ficaríamos tiramos pra ele brincar livre. Ele dorme nos pés da nossa cama, fica conosco na casa, colocamos as refeições dele na mesma hora em que comemos, troco a água 3 vezes por dia, pra ele sempre ter água fresca e limpa, pois por conta das papada e das pelancas eles se babam demais pra tomar água. Ele fica no trabalho conosco, o escritório da empresa fica no mesmo terreno da casa, e então ele participa, vê e ouve bastante coisa, sempre solto, sempre atrás de mim como uma sombra. Quando viajamos para o interior, em viagens de 5 horas de carro, ele vai numa boa, super comportado, chega nos lugares e fica quietinho, não é de latir, já o levamos num evento numa chácara com muitas pessoas e ele ficou de boa, inclusive assistiu a um culto quietinho o tempo inteiro, todos ficam sempre muito surpresos com o comportamento dele, por podermos andar com ele sem coleiras e sem problemas de desobediência.

    Ele é muito dócil e aceita carinho de estranhos, não morde, até mesmo quando estamos brincando de brincadeiras violentas, quando coloco a mão na boca dele, ele não morde pra machucar. Os dentes dele estão crescendo ainda, e ele ás vezes sente muito incômodo. Mas sim, são super afiados.

    Agora que ele já está maiorzinho, a única coisa que tenho notado de diferente é que ele não gosta que eu fique abraçando e beijando ele o tempo inteiro, ele não sai de perto e não evita, mas ele fica impaciente que eu fique segurando a carinha dele de frente e fique beijando as bochechinhas dele, no entanto continua adorando ser massageado, receber cafuné nas dobrinhas da cabeça e afago na barriguinha, e massagem nas patas. Ele não cabe mais no colo, está descobrindo que é fortinho, que não cabe mais e quando tento pegá-lo, ele tenta sair fora kkkk. Faço todos os dias a mesma rotina de carinho, ele recebe muita atenção minha, do meu marido e do meu cunhado. Todos os dias de manhã quando vamos levantar, eu falo com ele dando bom dia e aliso a pancinha dele, quando vamos deitar a mesma coisa, dou atenção, carinho e ele dorme a noite toda. Quando levanto pra fazer xixi, ou ele fica sentado no pé da cama me esperando, ou fica na porta do banheiro, pois sabe que é hora do café da manhã e fica alerta, antes de fazer meu café coloco a ração dele.

    Falar com ele é muito fácil, pois basta chamar uma vez que ele vem e acompanha, na primeira semana conosco ele aprendeu o nome dele. Ele obedece ao comando de sentar do meu marido. Estou tentando introduzir o comando da patinha, mas ele não parece gostar de ficar apoiado numa pata dianteira só a troco de nada.

    Ele está pesando 17,8 kg, faltando poucos quilos pra alcançar o peso médio de um Sharpei adulto, lembrando que ele faz 5 meses agora no começo de Outubro.

    Ele é um cachorro maravilhoso. Acho que deixá-lo solto, cercá-lo de atenção, incentivá-lo a conhecer coisas novas, ao invés de tudo repreender e afastar, levá-lo a lugares diferentes, e inserí-lo em nossa rotina, ao invés de ele ter a rotina dele, e nós a nossa; ajuda demais na tranquilidade do cachorro e na confiança nos donos. Ele sabe que estaremos lá para ajudá-lo não importa a situação, basta ele resmungar pra averiguarmos de tem algo o incomodando, e que só queremos o bem dele, por isso ele não sente que precisa estabelecer um território perante a gente ou ter qualquer tipo de competitividade.

    O instinto de cão de guarda tem aflorado, agora ele consegue latir grosso, e qualquer barulho que ele não consiga identificar quem está fazendo e o que é, ele já fica a postos. Acho que com o passar do tempo ele vai passar a correr sozinho pra origem do barulho e vai verificar, por enquanto ele não faz isso.

    Quando vou almoçar em família na minha avó o levo junto, e ele fica com a gente quietinho sentado em algum paninho ou tapete que tenha no chão.

    Quanto a xixi, deu um pouco de trabalho mas ele já aprendeu os lugares em que ele pode fazer suas necessidades, e ele gosta de privacidade, não gosta de ser observado cagando.

    Por enquanto, nesses 3 meses sendo dona de um machinho Sharpei, é o meu relato! Espero que ajude a outros que estão interessados na raça. Eu me surpreendi, e tenho certeza de que não só com o Sharpei, mas com qualquer raça, oferecendo estrutura e amor pro cachorro, tratando-o com respeito, ele vai corresponder e vai ser uma fonte inesgotável de alegria e lealdade!

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